DSCN1929

Foto enviada para o Concurso Internacional Jovens Repórteres para o Ambiente 

YRE International Competition

Dia 8 de abril, aquando da realização da atividade Coastwatch, na Praia Velha, junto a S. Pedro de Moel, no concelho da Marinha Grande, um grupo de alunos deparou-se com uma enorme “família” de percebes fixada numa pequena boia de plástico. O aparelho de pesca, surpreendentemente decorado, foi alvo de algumas fotos e de grande curiosidade por parte do grupo participante, visto que tal crustáceo era desconhecido da maioria dos alunos. Lepas anatifera, também denominado por percebe da madeira, é um crustáceo hermafrodita, não comestível, muito pouco visível pelas praias do concelho da Marinha Grande, apesar de ser abundante no Oceano Atlântico. Ao contrário do percebe comum, que se fixa às rochas e é muito frequente nesta zona do litoral, aquele fixa-se em grande número a qualquer objeto flutuante, tais como boias, garrafas, pedaços de madeira e até animais marinhos, tais como a tartaruga, deslocando-se por isso ao sabor das correntes.

A boia de plástico de 15 cm que serviu de suporte flutuante a esta família de crustáceos (com cerca de 2 kg), de hábitos pelágicos, servirá de suporte a muitas outras famílias visto que a sua decomposição no ambiente rondará os 100 anos. A utilização deste material levanta desde logo a questão quanto à verdadeira dimensão das consequências ambientais provocadas pelo seu contínuo despejo no oceano representando uma grave ameaça para a fauna marinha, quer por via da libertação de substâncias químicas tóxicas, quer através da sua ingestão acabando por integrar a cadeia alimentar humana.

Se nada for feito para travar e combater a contaminação marinha e, pelo contrário, se se mantiver este ritmo desenfreado de consumo do plástico então, em 2050 haverá mais plásticos no mar que peixes.

Para inverter este cenário negro e caótico, e porque a natureza ainda não consegue degradar estas substâncias, é urgente repensar e reduzir o seu consumo no dia-a-dia pois “os microplásticos interagem até ao fim com todos os ecossistemas do oceano”.

 

Anúncios